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JARDIN... ÂNSIAS
Luiz Poeta 
Luiz Gilberto de Barros – 
às 15 h e37 min do dia 17 de abril de 2010 do Rio de Janeiro 

Eu cobro de mim mesmo um compromisso
Com a vida... mas... o que é mais importante ?
Curtir a flor, quando ela é plena em viço,
Ou ver seu crescimento a cada instante ?

Por ser um jardineiro distraído,
Divido com as plantas esse dom
De projetar, na tela, o colorido 
Florido de uma vida em outro tom.

Silêncios polinizam-se sozinhos;
A idéia é uma flor que se distrai
Colhendo orvalhos, quando seus espinhos
Dissolvem-se na lágrima... que cai.

Não sou um jardineiro desses tantos
Que simplesmente cuidam do jardim...
Meu riso rega cada flor com prantos
Que brotam dessa flor... que existe em mim.

E nessa compulsão surrealista
De desenhar no peito alguma dor, 
Eu pinto o meu amor idealista
No cerne solitário de uma flor. 




IGUAIS
Luiz poeta 
Luiz Gilberto de Barros – às 15 h e 42 min do dia 31 de dezembro de 2008 do Rio de Janeiro 

Nós somos carne, corpo, sangue, terra e pó,
Mas Deus nos deu felicidade em abundância;
Só vive triste quem não sabe viver só 
E é infeliz quem não controla a própria ânsia.

Nós somos roupa, sedução e elegância,
Mas somos frágeis...e se alguém nos rouba a cena,
A nossa vã e traiçoeira intolerância
Afasta a nossa coerência mais amena.

Todos discutem uma vida mais singela,
Mas o destino se rebela à intenção
Dessa feição que projetamos sobre a tela 
Onde o prazer não reproduz a emoção.

Deus nos ensina a metafísica da vida,
Mas toda vez que a matéria nos atrai,
O nosso voo não se acostuma com a descida
E o nosso corpo desmorona quando cai.

As nossas dores alicerçam-se nas mágoas
Que construímos, quando nossas vaidades
São barcos frágeis ao sabor de tantas águas
Movendo trôpegas e vãs ansiedades.

Por sermos sempre sonhadores, entretanto,
Quando os desejos nos impelem a sonhar,
O coração passa a sentir todo o encanto
Que nos iguala e nos ensina o que é amar.



FILOSOFOME 
Luiz Poeta 
Luiz Gilberto de Barros - Às 19 h e 34 min do dia 4 de maio de 2007 do Rio de Janeiro
8° Soneto premiado entre os 50 melhores Sonetos Nacionais – Jacareí – São Paulo 

Quem filosofa sobre a fome, não conhece
A verdadeira dimensão do sofrimento,
Só fotografa a visão que o apetece,
E só registra o instantâneo de um momento.

Quem sente a fome no instante em que observa
Um infeliz morrendo à míngua, abandonado,
Sabe que a dor do desamor é que conserva
A solidão em seu olhar desesperado.

Certas pessoas se alimentam de vaidade,
De arrogância,covardia e falsidade,
E o poeta mostra...em sua poesia...

Que os indigentes infelizes passam fome
E o egoísta é um bicho que só come
A sua própria solidão... e hipocrisia.



EITA TREIM BÃU !
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros – às 13 h e 18 min do dia 11 de junho de 2011 do Rio de Janeiro

Ocê sabe, Santantonho, eu tô sonzinha,
Fiz macumba, oração i simpatia,
Rezei têrçu fiz umas novenazinha
Qui insinaru, rezei treis avi maria...

Já mi oiei nu espeio i sei qui dô pru gastu
Nhô Bastião já mi pegô na fazendinha,
Cum Zé Bentu, fiz amô inté num pastu
Mas.. diachu ! nunca fui uma santinha...

Toda veis qui acaba u atu, us cabôcu
Vão simbora i quandu falu im casamentu,
Si discurpam, i uns bobão inda faiz pôcu, 
Um inté saiu corrunu num jumentu

Pinto us zóio, aparo inté as sobrancêia
Tiru us buço, passo inté carvãu nus dênti, 
Ah, meu santu, casu inté numa cadeia,
Purqui sei, num sô ninhuma inocênti .

Tresantonti, armeitei inté us sêiu
I na bunda coloquei uns inchimentu,
Qual u quê... teve um matutu qui só vêiu
Mi aparpá, dispois si foi.. . qui cão grasnentu !

Num sô virgi, sô di tôru, será qui eis 
Qué casá Cuma muié di ôtru sigu ?
Ô será qui u meu horóscu é chinêis...
I só mi ingana... Deus Du céu !...é só cumigu ?

Mi disséru qui ieu intendu tudu erradu
Qui casá é assumi um comprumissu,
Mas si u ômi i a muié já sãu casádu,
É erradu si casá pensanu nissu ?

Nôtru dia pus uns pircin nu imbigu,
Tatuei inté bem lá, meu inderêçu
Neim oiáru.. i eu sei qui tô tão a pirigu
Qui aceitu inté tranzá pelus avêssu.

Tudu issu, meu santu casamentêru
Só prá tê uma terrinha prá vivê
Cum um hômi di verdadi... u dia intêru
Prá bejá, sei lá.. tranzá... só pra metê...

I adispôs, quandu u dia crariá,
Acordá u disgramadu, peladinha
I dizê: - Oi, maridão... vamus amá
Que tar dá, comu us di lá, uma rapidinha ?




CADA MULHER QUE ME BEIJOU
Luiz Poeta 
Luiz Gilberto de Barros – 
às 23 h e 18 min do dia 8 de maio de 2010 do Rio de Janeiro – Marechal Hermes 

Cada mulher que me beijou, deixou comigo
Bem muito mais que o beijo mais apaixonado, 
Um coração que um dia amou e fez de abrigo
A sensação de ser feliz e ser amado. 

Cada mulher que traz de volta essa ternura
Tão indizível, expressiva e tão... fugaz, 
Me faz feliz quando a saudade me procura
Trazendo flashes de momentos passionais.

Minha saudade é de cada uma delas
E cada abraço, cada afago e cada beijo
Tornou-se o sonho que o amor criava nelas
Quando a ternura misturava-se ao desejo.

Todas as vezes que uma delas, como eu,
Sente saudades de um tempo tão sedutor,
Imortalizam os sonhos delas e meu
E eternizam cada instante desse amor. 

Cada mulher mais solitária que me quis
E foi feliz com todo amor que eu pude dar,
Beijou meus lábios com a ternura de uma atriz.
Mas nunca viu meu coração representar.

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  29.01.2012