ARTE DE PERDOAR
Lourdes Neves Cúrcio
É preciso perdoar
Da mágoa se libertar
O perdão é uma arte
Expulsa ressentimentos
Que no peito resguardados
Afligem o corpo e a alma
Criando raízes profundas
Suscitando o sofrimento.
Não vale a pena viver
Alimentando o rancor
Que corrói e atormenta
E, com o passar do tempo,
Deixa a sua cicatriz.
Por mais que seja difícil
Perdoe e seja feliz!
Perdoar é banir de si
As ofensas recebidas,
A fim de que não se transformem
Em incuráveis feridas.
Se houvesse mais perdão
O mundo seria melhor
Com bem menos amargura
Menos moléstias e dor,
Pois o perdão leva à cura
Perdoar é um gesto de amor!

LUA
Rasgando o negro véu da noite surge a lua
Eterna musa inspiradora do poeta
Que o acompanha pelas noites solitárias
Com seus intentos rapidamente se entrosa
Somente para ser cantada em verso e prosa.
Lua discreta que desponta sorrateira
E a face oculta da noite vai descobrindo
Com as estrelas tem grande cumplicidade
Flagram juntas o que é feito às escondidas
Enquanto o sol a sono solto está dormindo.
Lua silente, testemunha dos amantes
Ouvidora de suas juras e sussurros
Conhecedora de seus velados segredos
E de seus tantos devaneios incessantes.
Lua que brinca de se esconder do sol
E ao redor da terra gosta de viajar
Lua atraente que o homem busca alcançar
Para um por um de seus mistérios desvendar.
Lua que é tema de inesquecíveis canções
Violeiros por ela são inspirados
Há quem diga que ela acalenta sonhos...
Há que afirme que ela é dos namorados.
Irresistível tomar um banho de lua
Apreciar o belo luar do sertão
Dedilhar a viola enluarada
Deixar a lua se transformar em canção.
Lua que rege, que governa, que domina...
Que embriaga, que inspira e que seduz,
Seja crescente, cheia, nova ou minguante
Seja do ébrio, do poeta ou dos amantes.

GAIVOTA
Pudera eu cruzar o céu qual gaivota
Voar livre por todo esse imenso mar
Ver o reflexo do sol sobre essas águas
Pelo vento incerto me deixar levar!
Sem destino certamente eu voaria
Tendo o azul do céu e o mar como limite
Por uma aura de paz eu me envolveria
Para trás todo o lamento eu deixaria!
Pudera eu então de vez desvencilhar-me
De tudo aquilo que extenua o meu ser
Bater as asas num gesto de liberdade
Extravasar num grito a dor e a saudade!
Gaivota, com você quero voar
Bailar ao ritmo das ondas desse mar
Imitar a tua graciosidade
Desfrutar de toda a tua liberdade!
Ave marinha, eu teria a singeleza
Da cor branca que envolve tua plumagem
E ao pousar na areia eu adormeceria
Agraciada pela emoção da viagem!
Gaivota, abriga-me em tuas asas
Quero viver esse momento alucinante
Aventurar-me nesse azul exuberante
E contigo voar para bem distante!

SONETO PERPÉTUO
Poetizar é dar mais cor e encanto à vida
É externar os sentimentos mais velados
Deixar o sonho em versos ser transformado
E a emoção em estrofes ser traduzida
A arte de expressar o amor é do poeta
Que das mãos divinas recebeu o dom
Da inspiração de versejar em suave tom
Que toca a alma, reconforta e aquieta...
Seja o poeta aquele que irá transmitir
O que o âmago em silêncio está dizendo
E o coração está deveras a sentir
E o ecoar dos versos vai ultrapassando
A tênue linha imaginária do horizonte
Para com o cosmos ir então se perpetuando...

PERENE CANÇÃO
O meu amor ardente eu sempre hei de cantar
De forma enternecedora e harmoniosa
Propagá-lo além da linha do horizonte
Delinear meu sentimento em verso e prosa
O meu amor contém a candidez da rosa
O encantamento das estrelas flamejantes
É grandioso como as águas do oceano
À singeleza da poesia é semelhante
Hei de cantar o meu amor aos quatro ventos
Vivenciá-lo em toda a sua plenitude
Amor que suplanta as barreiras do tempo
Amor imenso sem noção de finitude
Chama que abrasa meu peito incessantemente
Fulgor que na obscuridade me conduz
Melodia aprazível que me acalenta
Força latente que me inspira e me seduz
Estrela guia que ao longo da caminhada
Se faz presente em todos os meus momentos
Amor escrito com indelebilidade
Verso por verso nas linhas do firmamento
Amor feérico que eu sempre hei de cantar
Posto que da minha existência é a razão
Sonho do qual eu jamais quero despertar
Mas sublimá-lo numa perene canção;

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