Poeta apaixonado
Lauro Kisielewicz ( 29/Jan/2012 )
Seja empunhando um lápis ou caneta,
Acariciando o teclado do computador,
Lá se põe o poeta a escrever ou poetar
O que viu, sentiu ou ficou a sonhar...
Descrevendo algo detalhadamente,
Como se tivesse realmente vivido...
Demonstrando a chama ardente,
De grande paixão incontida,
Que jamais provou nesta vida...
Relatando um fato nada recente,
Como se o tivesse presenciado...
Expressando um sentimento,
Como se o tivesse vivenciado...
Exteriorizando a dor da alma,
Como se tivesse sido flagelado...
Relatando radiante alegria,
Como se a tivesse experimentado...
Traduzindo a plena felicidade,
Como fosse possível essa utopia,
Que a humanidade almeja encontrar,
E consome a vida, na luta de buscar,
E mergulha em dores e sofrimentos,
Quando deveria vivenciar os momentos,
Raros e, justamente por isto, tão preciosos,
Às vezes, poucos minutos maravilhosos,
Que encantam, mesmo sem ter fala,
Pois é justo quando a boca se cala,
Que o brilho do olhar denuncia,
E o sorriso suave logo anuncia
Que o amor comanda o instante,
Detectado pelo poeta itinerante,
Como se ele próprio fosse agraciado,
Com o puro amor, tão desejado,
Que parece ter sempre habitado
A alma de um poeta apaixonado...

Imprescindível
Lauro Kisielewicz ( 20/Jan/2012 )
Entendo seja mesmo
necessário e imprescindível que,
de tempos em tempos,
possamos trazer à tona
do fétido lodo mundial,
a refinada fala
que de noss'alma exala,
na eterna e árdua luta
travada entre o bem e o mal...
Afinal,
ainda que mergulhado na dor
qual poeta não tenta,
estimular e ao menos tentar
compartilhar paz e amor!?

MEDITANDO
Lauro Kisielewicz
A vida é realmente algo muito engraçado;
eu estava tranqüilo, fumando um cigarro,
e, de repente, na fumaça, vi formado
um rosto sublime no qual me amarro...
Os traços, confesso, não eram bem definidos,
mesmo assim, pude reconhecer-te, minha querida,
e, mesmo com meu corpo semi entorpecido,
admiti que tenho muita sorte na vida!
Recordei que, de fato, tu existes,
lembrei que posso amar-te em segredo,
porém, temendo fazer com que fiques triste,
confesso que não me manifesto por medo...
Não pretendo perder-te, matando nossa amizade,
não quero fazer-te sofrer por algo impossível;
e, para transmitir-te alguma tranqüilidade,
digo-te que, neste mundo, tudo é admissível...
Mesmo te amando, serei sempre teu amigo,
talvez até te zangues e também te aborreças;
só espero que não me apliques um castigo,
e, quando eu me for, deste amor não te esqueças...
Não creio, nem mesmo penso em ter esperança,
pois nossos caminhos já estão traçados;
eu sou real, humano, já fui criança,
tu és um sonho que adornou meu passado...
Um passado que, ainda há pouco, era presente,
um clima de sonho e de transe profundo,
algo que sentimos de repente
como se tivéssemos saído desse mundo!
Nada resta além da fumaça dissipada!
e, desse sonho que pouco a pouco se apagou,
já não vejo a tua imagem... foi apagada
pelo mesmo vento que deste mundo te levou...
Deste mundo que era teu, era meu, era nosso,
um mundo de planos de sonhos e de ilusões;
hoje admito, meu bem, tudo que posso
é orar a Deus, pela paz de nossos corações.
Seguimos caminhos diversos, como dois seres errantes
que partem pela vida, em busca de felicidade...
somos duas almas gêmeas, almas semelhantes
que talvez se reencontrem, na eternidade...

Precioso instrumento
Lauro Kisielewicz = 17/09/2003
Levíssimo instrumento,
poderoso armamento
de inofensiva aparência
tendo por excelência
um formidável e inesgotável
conteúdo de novidades...
Descrevendo a vida,
descrevendo o coma,
comunica em qualquer idioma,
com destreza faz e desfaz,
declara-se a guerra,
assina-se a paz.
Muitas vezes decidiu
o destino de nações,
tem poder mais devastador
do que juntos mil vulcões!
Seja com garatujas
ou com escrita gótica,
faz poema sacro,.
faz poesia erótica...
Descrevendo fatos,
narrando a história,
sem momentos de glória
em tudo está presente
calada e silenciosa,
a tudo é indiferente
e tudo descreve sabiamente...
Alguns a chamam de pena
pois da pena ela nasceu;
foi-se aperfeiçoando,
a todos nós ensinando,
definindo novas modas
ou desenhando com leveza,
traços de rara beleza
e despeja ainda por cima
frases e palavras com rima
que se tornam poesia.
Nessa mesma caligrafia,
define também a sorte
no corredor da morte
onde escreve a sentença...
por meio dela se absolve,
com uso dela se condena
e no giro da ampulheta,
perpetua-se a caneta,
como objeto de altíssimo valor
pois por ela é que hoje temos
a Divina Palavra do Criador,
e também de Jesus Salvador,
e de toda sua obra de amor!

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