Sonho dos pássaros
Jussára C Godinho
Mil folhas ao vento a balançar
Flores multicores a perfumar
Campos verdejantes a encantar
Borboletas coloridas a emoldurar
Ar cristalino, água pura a jorrar
das cachoeiras, cascatas, e do mar
Ondas claras e suaves, longe de marolar
Córregos, rios, lagos, as águas a embalar
Seus iguais os ninhos a afofar
No azul do céu a voar
Todos felizes a cantarolar
O homem quietinho no seu lugar
Nada mais querendo ceifar
E a natureza exuberante a triunfar

Indomável pensamento
Jussára C Godinho
Meu pensamento voa, vaga
Arrisca e se perde em ti
Constrói sua morada
E em segredo
Brinca, sonha e ri
Acorda calado
E em silêncio
Deixa uma lágrima cair
Vaga, divaga,
Insiste, desiste
E ali volta a residir
Fica, demora, devora
Para e não quer sair
Aquece, endoidece
Dilacera, explode
E não me deixa dormir
Indomável pensamento
Domina meu coração de menina
Cavalga em seu poder
Sua imagem passeia em mim
Desnuda meu ser
Seu nome chama pelo meu
E baila no salão do sonho
E o sono não vem
O pensamento insiste,
Não desiste
Exausta me entrego, deixo fluir
E o pensamento voa, vaga
E paira definitivamente em ti.

O que é aprender?
Jussára C Godinho
Aprender é descortinar janelas,
e abrir-se aos horizontes,
vislumbrando o desconhecido.
Aprender é acender luzes
e clarear escuros,
iluminando a mente
Aprender é entregar-se ao novo
defletir velhas imagens,
recebendo sonhos
Aprender é compreender o mundo
seguir em frente,
trilhando outros caminhos

Nascimento e morte de um rio
Nasci sereno
manso e cristalino
por entre os verdes
doce vale menino
Cresci robusto
forte e valente
e fui andando
emocionando gente
Atravessei cidades
quase poderoso,
mas de tanta maldade
fiquei tão horroroso
Lixões, lixos e lixinhos
deixaram-me malcheiroso
afogaram meus peixinhos
não sou mais um rio garboso

Para onde vamos?
Meu eu se perde
na multidão
que vaga e anda
e anda, anda
Minh’alma para
e parada quase voa
e se cala
fica sem fala
Não é nada
perdida na multidão
que vaga e anda
e não sabe aonde vai
Meu eu perdido
na multidão
vaga sem vaga
a qualquer atenção
E minh’alma
é inundada de solidão
na multidão
que anda, vaga...
E não chega ao coração

O Varredor
Lá vai o Varredor
Triste ou contente
Enfrentar frio ou calor
Servindo a toda gente
Lá vai o Varredor
Cumprir com seu dever
Com ou sem dor
Não pode esmorecer
Tudo varre, varrendo
E de todos seus males
Vai se esquecendo
Esse olhar profundo
Mãos calejadas
Presença no mundo...

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