QUANDO A SOLIDÃO VOLTA A ATACAR...
Ilda Maria Costa Brasil
A ausência de pessoas queridas
faz a solidão voltar a atacar,
desencadeando reações
de tristeza, apatia e abandono.
Às vezes, um simples detalhe
reativa vínculos afetivos adormecidos,
transpassando-nos gradualidade perceptiva,
que, uma vez embasados
por companheirismo, respeito e amizade
resgatam o desejo de viver.

TUDO TÃO VAGO...
Ilda Maria Costa Brasil
De repente, as cores brilhantes
do sol e do céu ficaram nebulosas,
despertando intensa nostalgia.
O desaparecimento de brilho
num olhar, perfeitamente,
pode expressar a falta
de empatia com pessoas do grupo
ou a vaguitude de tudo.

CELEIRO D’ALMA
Ilda Maria Costa Brasil
Tanto a memória quanto o coração nos permitem
a fantasia de voltar no tempo;
às vezes, sombreando;
noutras, colorindo lembranças
e vivências associadas
às diferentes fases da vida.
Memória e coração tratam
dos nossos pensares e de nossas imagens,
induzindo-lhes novas interpretações,
experiências e sentimentos.
Celeiro d’alma, memória e coração
levando-nos a caminhos incomuns,
inesperados e repletos de inventividade.

O CANTO DA CACHOEIRA
Ilda Maria Costa Brasil
O cair das águas de uma cachoeira
chega ao nosso coração
como um deslumbrante canto.
Despertam-nos emoções contidas;
ideais futuros
e a esperança de uma sociedade
mais fraterna e solidária.
A natureza, pela sua magnitude e beleza,
retém, em nossa memória,
o esplendor do momento;
os raios solares e o verde da mata.

SOMBRAS NO CAMINHO
Ilda Maria Costa Brasil
Num piscar de olhos,
um sonho
é privado de luz
por mãos perversas.
Decepção, tristeza
e dores inevitáveis
são amenizadas
por palavras amigas
que perpassam amor,
carinho e solidariedade.
Na busca de respostas,
sombras no caminho.

PEDAÇOS DO CÉU
Ilda Maria Costa Brasil
Na perspectiva de uma reintegração,
deixa as ideias vaguearem,
atentas ao mundo a sua volta.
Tudo lhe parece surpreendente,
questionável e improviso.
Frente a pedaços do céu,
vê-se tomada por forte anseio
e desejo de apagar emoções
e palavras espinhentas e cruéis.

RUÍNA VIVA
Ilda Maria Costa Brasil
No decorrer do dia,
tenho procurado caminhos ensolarados,
Um momento, que esperava ser de festa,
alegria, felicidade e riso;
pedaços de mim, além de surpreenderem-me,
transformaram-me em ruínas vivas.
A causa de tamanha agressividade,
um ponto de interrogação.
Inveja? Maldade? Ciúmes? Não sei.
Por que o ser humano tem dificuldade
para interagir com o sucesso do outro?
Uma vez ruína, deixei-me abater.
Felizmente, entre raios e relâmpagos,
gestos fraternos reergueram-me,
mostrando-me que os bons sentimentos
são importantes na constituição
de sentidos e do equilíbrio interior.
Felizmente, o amor amplia
e aflora novas possibilidades
de compreender e entender o mundo.

TRIGAIS
Ilda Maria Costa Brasil
Na minha memória,
o fenômeno do pôr do sol
sobre os trigais.
A harmonia entre o alaranjado do céu
e o amarelo dos trigais
projetavam-nos beleza e deslumbramento.
Felizes, saltitávamos
à volta dos trabalhadores
e sentíamo-nos acalentados pela natureza.
Ansiosos para entender
os poderes do sol e dos trigais,
minha leitura era confusa e indecifrável.
Nada me era preciso.
Eu, nos meus oito anos, via tudo
como algo celestial,
infinito e grandioso.

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