Eterno canto de amor
Herlânder Lobão
Hei-de morar em ti, eternamente
E na fugaz razão do meu sorriso
Eu hei-de vislumbrar o paraíso
No quanto em teus braços fui contente
Hei-de te embalar tão docemente
Num canto, que vestido de tristeza
Há-de retratar a tua beleza
E motivos, de ser, estar, descontente
Enquanto a vida me for presente
Teu nome ficará gravado sempre
Nos caminhos de tão desdita sorte
Mas, hei-de te amar tão fielmente
Que este amor puro, eloquente
Há-de desafiar a própria morte
Herlânder Lobão

Canto o teu encanto
Motivos foram mil para te cantar
em tão poucas razões p'ra estar contente.
e razões, mais de mil p'ra te sonhar,
mesmo assim ao estar tão descontente.
Esse canto em mim, assim dolente,
embala, por estar longe, só tristeza,
por não poder, assim, ver a beleza
de quem por quem se tem amor ardente.
A mim vem teu perfume envolvente,
fazer-me recordar teu corpo quente,
na beleza dessa pele cor de luar.
Motivos, eram tantos de alegria,
se, na razão da minha poesia,
pudesse, enfim, um dia, despertar.
Herlânder Lobão

Chão de silêncios
As demandas ficaram por singrar
Os silêncios, de seu reino, só o chão
Perdida a fé, sem nunca ver chegar
Ficaram pela poeirenta solidão
Tantos sonhos esbatidos pela dor
Perderam o seu tempo de progredir
De tantos, nem a um só restou a cor
Da alva estrela fé, que faz sorrir
Apenas a quietude no lugar
O vento já não sabe assobiar
Pararam os sinais, os movimentos
Esmoreceram no olhar palavras
Cada vez mais e mais distanciadas
Ante desilusões e contratempos
Herlânder Lobão

Hei-de amar-te, além dos breves anos
Hei-de amar-te, além dos breves anos
Que a vida mesmo longa, em si contém
Querer-te como nunca quis ninguém
E desbravar por ti, mil oceanos.
Cantar-te meu amor, p’ra lá do tempo
Que dure a simples vida de mortal
Fazer-te dona do meu pensamento
De forma nunca vista, nunca igual.
E, mesmo que me vista de tristeza
Será meu canto, em louvor da beleza
Que em ti, viu um dia o coração.
Cantarei para ti em toda a parte
Pois de Deus me deu engenho e arte
Foi p’ra cantar-te, amor, até mais não!
Herlânder Lobão

Por amor…
Por amor…
Segurei na tua mão
Compus aquela canção
Que falava de nós dois
Por amor…
Embalei o teu sonhar
Deitei risos pelo ar
E fechei todo o depois…
Por amor…
Selei ao teu, meu destino
Lavrei o nosso caminho
Para assim, o ver florir
Por amor…
Minhas ruas de amargura
Cobri todas de ternura
Só para te ver a sorrir
Por amor…
Peguei na grande tristeza
E com as cores da beleza
Pintei-te por todo o lado
Por amor…
Fiz do tempo, intemporal
E de luz, um pedestal
Com o teu nome gravado
Por amor…
Tive uma só ambição
Conquistar teu coração
E ver partir toda a dor
Por amor…
Mesmo se, parca a alegria
Sei que és minha poesia
E tudo que fiz foi… Por amor!
Herlânder Lobão

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