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Apenas um soneto
Fernando Reis Costa



Quem dera eu tivesse a tua arte
Para escrever a mais bela poesia
E, nela, todo o amor poder cantar-te
Ao som de uma lira, noite e dia!...

Fazer chegar a voz a toda a parte
Cantando o nosso amor, com alegria
De muito me amares e muito amar-te
No mais lindo romance, qual magia!

Escrevê-la-ia então na forma nobre:
Em duas quadras, dois tercetos,
Bordada a ouro com todo meu afeto.

O título, enfim, podia até ser pobre…
Mas ele seria o mais belo dos sonetos
Que algum hábil poeta cantar pode!





Ser solidário


Pobre, é todo aquele que apenas sente
O que a si advém que desconforte,
Esquecendo outros que têm menos sorte,
P’ra quem o seu sentir é negligente!

O egoísmo sempre foi, infelizmente,
Defeito que para muitos é o porte;
Seu mal menor encaram como a morte,
Enquanto alguém mais sofre, paciente!

Enfrentar, pois, qualquer vicissitude
E ver que pior está o semelhante
(sem descurar a sua sorte ou a saúde...)

É transformar o egoísmo em virtude;
É não ficar dos outros tão distante;
É ser mais altruísta e menos rude!...

Fernando Reis Costa




A TI, MULHER!...
(Fernando Reis Costa)

A ti, Mulher...
Que nasceste para amar e ser amada,
Criada para dar vida à própria vida;
E que és tantas vezes maltratada
Nesta sociedade louca, corroída…

A ti, Mulher…
Que negados vês ainda alguns direitos
E te oprimem da suma liberdade,
Como se fosses serva fiel da sociedade
Neste mundo sujo em preconceitos…

A ti, Mulher…
Que pela natureza és bênção querida…
E em teu peito tens o leito e dás guarida
À ternura, ao carinho e ao amor…

A ti, Mulher…
Quero exaltar o teu real valor…
Não hoje simplesmente, aqui, agora!
Mas…que o Dia da Mulher – o seja sempre:
- Hoje, amanhã, e a toda a hora,
E te libertes das garras do furor
Desta sociedade incompetente e corrompida!

A ti, mulher…
Baixa, alta, branca, negra, magra, obesa…
Flor, fruto e semente que dá vida à própria vida;
Que és do carinho e do amor rainha de beleza,
Obra-prima da própria Natureza…
Mulher, filha, esposa, mãe ou avó querida…

A ti, Mulher…
E sem favor … Eu quero exaltar
Nos versos que declamo em teu louvor:
Curvo-me perante ti, Mulher, por seres quem és!
Deixo estes humildes versos a teus pés!
E neles… em cada palavra uma flor!



QUEM SOU

Quem sou? - Juro que às vezes nem eu sei,
Interrogando-me no mundo em que vivo.
Talvez um caminheiro que de longe vem,
Quiçá um zé-ninguém, um sem-abrigo?...

Procuro e não encontro mais alguém
Que parecido seja assim comigo.
Eu sou aquele que dá tudo o que tem
Até o coração magoado e dolorido!

Sou o que sou: e calmo como um lago,
Sem que alguém saiba que em mim trago
Um sentimento forte, sim, bem forte...

Que nada nem ninguém vencê-lo há-de,
Porque ele é livre; e à minha liberdade,
Algemas não as põe senão a morte!

Fernando Reis Costa



No meu sangue há poesia!

Tempos idos, quem diria
Que no meu corpo corria
Sangue do meu coração
Composto de poesia!

E o sangue, principalmente,
Que é a vida da gente,
Feito glóbulos, plasma,
Onde correm sentimentos,
Plaquetas e coisas mais...

Tantos são os elementos
Que, se bem analisado...
Tantos são… Até se pasma!
...Ácidos gordos totais,
Carbono, cálcio, minerais,
Colesterol, bilirrubina,
Ferro e creatinita,
Glucose, adrenalina,
Tantas coisas, tantas mais!...

Quem alguma vez diria
Que o composto do meu sangue
Tem muito de poesia!?

Sem ela, não viveria
Porque no meu coração
Mora a saudade, o amor,
Como se fosse alquimia.

Tal como Paracelsus dizia...
O bálsamo p'ra toda a dor
Da química e da medicina
Que corre pelos meus versos!

No meu sangue corre o amor.
Corre muito, em demasia!
Em versos soltos, sem rima.
No meu sangue existe amor.
No meu sangue... há poesia!

Fernando Reis Costa

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  25.01.2012