Tela Presente do Artista Plástico Celito Medeiros  - www.celitomedeiros.com.br/

 

 CAPA DA MENTIRA
Ferdinando


A mentira mora atraz dos medos
Na capa da verdade, emudecida
Mistério onde riem os segredos,
Velados na vertigem da corrida

O seu feitiço feral nos penedos
Rasga inclemente a voz da vida,
Onde vivem gastos sonhos ledos
No longe onde o tempo se retira...

És estátua na noite que não fala
Como fraude, adornas-te de gala
E desenhas o porvir numa ilusão.

Semeias a desgraça no teu mundo,
E te acolhes em prazer imundo,
Violando a verdade e a razão.



A GRANDE VERDADE
Ferdinando


O homem está exausto deste mundo...
No nevoeiro fantasma que respira,
E torna a nossa calma uma mentira,
Em apatia, que cava mais profundo!

O sol já não dorme sobre a pedra,
Que trazia a água para as fontes,
Os rios magros, olham as pontes...
- Abraçando o prado que não medra!...

Os mares vão e voltam numa ira
Como tudo se coloca ou se retira,
Na noite, quando a vida amortece.

O tempo irá rasgar o calado mito,
E, nas pesadas horas de granito,
Espera o leito, que todos adormece!




A NOSSA CRENÇA
Ferdinando


A vida está deserta de irmandade
Nos dias mais azedos do presente!
Somos a luz na arrefecida claridade
Que irmana a nossa alma de contente.

Lutaremos pela pobreza desmedida,
Nas masmorras onde o grito é a voz
A nossa espada que seja a voz erguida,
Na crença que emotiva a todos nós...

Lutaremos contra o som do tempo,
Que nos magoa triste sem lamento...
De palavras em palavras inventadas.

Somos futuro, em gesto convertido
A força controversa do sentido...
- E que as noites sejam alvoradas




A VIDA CALA MEDOS
Ferdinando


Tudo se cala nas horas e a noite pesa,
num sonho moderado de um só suspiro
eco do mundo, como a voz das torres
no retrato esfingico dos curvados dias.

Gostaria de rasgar a capanga da mentira,
entrar na doçura de um sorriso puro...
adornar de vidas a estrada dos medos
suspensa sobre os olhos dos inocentes!

Vencer procelas no Oceano exausto da
mentira, onde o olhar se fecha sobre as rochas
incendidas, que nos queimam o tempo
num futuro, que germina flores de lume.

A poesia se suprime fechada no silêncio
onde mora um punhal oculto em gestos
assustando o poeta que rega todas as dores
num lirismo, que fomenta o porvir da vida.




VÍTIMAS DA VIDA
Ferdinando


Do tempo nascem séculos a conversar,
Com a idade que semeia a pobreza...
O pranto, é a bandeira em cada olhar
Hasteada sobre as brumas da tristeza.

Desfilam mentiras, para nos vergar
Rasgando a verdade e a beleza,
Anoitecem e madrugam com o luar
E ficam todo o dia à nossa mesa!

Quando o vento chora com as fontes,
Os Profetas falam, a olhar os montes,
Na espera que a concórdia vá nascer...

A amizade está no dia que não vem...
- Pois de nada, vale aquilo que se tem,
Se não temos a liberdade de o viver!

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  30.01.2012