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 Labirinto
Esio Antonio Pezzato


Labirintos de fogo e fumo e brasa densa
Abrem-se ao meu olhar e a minha frente vejo.
Os músculos concentro e tudo se condensa
Numa ânsia ainda maior que atiça meu desejo.

O tiro da partida a mim, de forma intensa
Mais parece a volúpia edênica de um beijo.
O corpo se contrai e busco a recompensa
E enquanto corro escuto o soar de um arpejo.

Nas léguas de silêncio em longos corredores
Percebo a solidão, as angústias, as dores,
Grudando em minha pele e tatuam-se em mim.

E ao fim dessa jornada angustiado sinto
Perdido, triste e só, pois neste labirinto
Em que a vida perdi, já nem sei por que vim.


22.07.2010




Crepúsculo piracicabano
Esio Antonio Pezzato


Aleluia do sol sangrando raios de ouro
Atapetando o céu de fagulhas brilhantes.
O ocaso em oração freme ao rubro tesouro
Emanações de luz de variadas cambiantes.

À luminosidade o largo ancoradouro
Sobre o Rio reflete incendidos diamantes.
A ramagem debrua um estilete louro
Onde os olhos de Deus refletem-se constantes.

Revoadas e zunzuns das aves tagarelas
Põem musicais no espaço e entre delírios tantos,
Os meus olhos na luz miram tais aquarelas.

A cidade anoitece entre belos encantos,
E ao mirar cenas tais tão líquidas e belas,
Dentro da mente teço em preces, os meus cantos!


23.07.2010



Mentira cintilante
Esio Antonio Pezzato


À luz de uma ilusão, firmes, tolos e cegos,
Incautos, vamos nós em busca da mentira.
Subjugamos os céus, inflamos nossos egos,
E atinamos a voz no clangor de uma lira.

A ilusão ilumina em brilhos de safira
Põe veludo em seu timbre amortecendo os pregos.
Seu caminho atapeta encobrindo a lezira,
E num bote fatal todos nós somos pegos.

A luz de uma ilusão anima nossos passos,
Estiramos em febre os músculos dos braços
A canseira inexiste e ela mais nos ilude.

Porém um dia chega e velhice sanhuda
Quando não temos mais a quem pedir ajuda,
E na vala se foi a nossa juventude.

23.07.2010




Porta do futuro
Esio Antonio Pezzato


A vida é um labirinto enorme, turvo, escuro,
Onde dia após dia abrimos uma porta
Que por nós é chamada a porta do futuro,
E nos mostra uma estrada infinita, ampla e torta.

Às vezes frente à porta e me pego inseguro,
E a dúvida cruel minha razão transporta
A um chão árido, negro, espinhoso e tão duro,
Que a esperança aparece e ela é pálida e morta.

E no correr da estrada os nossos passos pomos
Buscado acalentar insensatos projetos
E procurando, em vão, pelos durados pomos.

Porém a maldição em negros alfabetos,
Fustiga a nossa vida em luminosos cromos,
E impropério fustiga em infernais dialetos. 


23.07.2010




Contemplação
Esio Antonio Pezzato


A distância contemplo o contorno da Serra
Onde se deita o sol apagando arandelas.
E logo a noite traz a lua-cheia que erra
Mostrando ao seu redor um carrossel de estrelas.

Assim o largo espaço abre-se em passarelas
E em miríades de luz põe brilhos sobre a terra.
Nas noites hibernais límpidas, claras, belas,
O Cruzeiro do Sul brilho e fulgor descerra.

Em êxtase maior com meus olhos contemplo
Via Láctea estender-se em milhões de anos-luz
Sobre nós colocando a abóboda de um Templo

Onde o Grande Arquiteto e Senhor do Infinito
Paira acima de tudo e firme nos conduz
Para um Amor maior, mais puro e mais bendito. 


23.07.2010

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  30.01.2012