Poda
Elisa Alderani
Podaram as árvores...
O jardim ficou triste.
Galhos frondosos caíram inertes.
As lindas folhagens embutiram
O barulho da queda no chão quente.
Ninhos desabaram...
Os pássaros voaram longe, assustados.
Grosseiro machado ferindo, despindo.
Sem amor, sem pudor.
O coração chora.
Da sacada meus olhos descansavam
No verde das mechas frondosas.
Agora sem trajes, sem música e festa.
Perdi a seresta.
Silenciam por trás das grades.
Árvores despidas.
Espectros sem vida.

FANTASIAS DO POETA
O poeta sempre escreve palavras formosas,
Luminosas, no acaso do tempo.
Compassado inventa metáforas
Esconde verdades doloridas,
Finge ser feliz ou triste.
Este é o poeta.
Palavras incoerentes o surpreendem.
Venha ver as minhas paredes...
Pintadas de rosa, verde claro.
Têm azulejos amarelados.
Venha ver meu rosto sorridente.
Talvez a alma oculta chore.
Poeta é aurora e pôr do sol.
Noite, nuvem, mar em tempestade,
Ou simplesmente doce calmaria.
Improvisa a chuva ou o sol ardente.
Com ele a pino
Impassível ele peregrina
Sem interromper
Seus delirantes versos.

INDECISÃO
Ganhei o chão, perdi o alento...
O coração gelou
Numa praia onde o sol queima a alma.
Saudade do teu abraço.
Sofre a alma perturbada
Na areia molhada das ondas da solidão.
Sofrer saudade,
Decidir amizade...
Ou esquecer teu rosto.
Teu olhar que engole meus pensamentos.
Lentos, afundam no mar da contradição.
O coração reclama,
Pondera quem será você...
Entrou em minha vida
Brando como a maré
Nas noites de lua cheia.

Casulo da palavra
Palavra fechada no casulo da alma.
Como bicho da seda tecendo fios dourados.
Trabalha sem cessar.
Na noite profunda sonha.
Escondida, aguarda seu tempo.
Na hora certeira amadurece.
Silenciosa e calma.
Com a força do pensamento,
Abre sua provisória morada.
Vagarosa sai informe.
Úmida e gelada,
Na madrugada de um dia qualquer.
Aguarda o sol chegar.
Um raio luzente a aquece,
Revigora sua carne machucada.
Distende as asas lentamente,
Voa para experimentar a vida!
Agora linda e colorida borboleta.
Não é efêmera...
Logo ela volta e docemente pousa
Na perfumada flor branca do papel.
Que acolhedor está à sua espera.
A Indelével “Palavra” do poeta.

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