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A Oyá
Deth Haak


Bailou com os fogos da noite
No espaço terrestre, e a lamber os versos,
Palpitava no peito o que o vento dizia
Aos cicios alegres ritmado no canto
Jaz longe a agonia...
Feliz dois mil e novo!
A maresia envolveu
A lua vadia 
Com o carbono dos dias;
E nas cinzas do apocalipse
Chegou capricórnio nadando no monte
Solvendo relâmpagos
Que ao ver comprazia
Cavalgando na areia
Em que o vento lia;
Vetustos oráculos desenterrados
Das negras lousas espumadas
E os ecos enlouquecidos;
Balbuciavam nos lábios 
De os dias vencidos
Refletindo na adaga
O balé dos mitos
Ribombando nos fogos de artificio
O incêndio lavrado há um ano findo.

02/01/2012
Deth Haak
“ A Poetisa dos Ventos”



Busco sim... ( Glosa Deth Haak )

A resposta inspirada habita em mim
Projetada nas estrofes de este verso 
Fulge sonâmbulos olhos de esplendor
Os véus da noite aromando Magnólias
A despertarem n’alvorada os colibris...

Sopro da brisa balouçando as flores
Ninando a solidão d’algum jardim
Dança da chuva que a garoa aponta
Colhendo penas trocadas pelas aves
Salpicadas de o rocio que decanta.

Doce vida que guarnece a ninhada
Sustida pelas guampas do jasmim
Roçando mar na barcaça ancorada
Beijo do sol nos ridos lábios dorme
Em prenhe ocaso de um cheio luar.

A conceber a serenata a sua amada
Jazem as luzes no horizonte sem fim
Velam por nós, Principados Serafins
Divinos seres já decifram o arcano;
Seja Poeta , um pouco mais humano.
Deth Haak
“A Poetisa dos Ventos”
5/01/2012.




Porque sei! Á Cesar Vallejo

Ainda a sangrar a dura realidade de seu povo
Em suas entranhas, a melindres Cholo Vallejo!
E com razões misteriosas, validando costumes;
Tomo manhãs dos trigais para logo entardecer...

No horizonte do ontem que não tarda chegar
Com o luar curioso por detrás dos cerros nus, 
Ora teço seu manto, e ao revoar dos Guanos
Malho as nuvens de algodão planadas no ar.

O mar revolto, nas praias a procela prevendo;
No insular das pedras o jejum de dois gumes 
Erguer o vento as foices a sagra-te os versos.

Na ânsia de vos seguir, os acordes da América
A ti entoam cantares as opressões antecedidas
E em mil poemas, proclamam a liberdade, viva!

Deth Haak
“ A Poetisa dos Ventos”
Cônsul Poeta Del Mundo-PN
Sociedade dos Poetas Vivos e Afins-RN
Embaixadora Universal da Paz




Eterno Amor- “ A Rolf Haak- 18/9/1945- 26/5/1998”

Ressalva a aura, e no calhado vivido,
O terno riso nos lábios da lembrança
Sorve de o tempo cada lágrima caída
Na incoerência de os cristais partidos.

Ora alegando a alacridade pretendida
Pra irrigar hoje o presente desbotado
E no aspecto lúdico dos astros distantes
Nuvens se alijam, pra chover o pranto.

Ao cogitar o tamanho amor prezado
Num brinde a vida com taças vazias,
Sem vinho tinto, aromado sem sabor
Cinge-me o imo a força da saudade...

Inerte o corpo, já sem ar nos broncos,
N’ alma carrega o fadário da ausência
E o estimado amor na poesia inacabada,
Eclode em Rosas que te oferta o vento.

Ramadas flores no vergel da convivência
De Amor- perfeito enlaçado à felicidade,
Parabéns meu AMOR! Que na morte vive;
Inspirando estros, além da eternidade...
Deth Haak
“ A Poetisa dos Ventos”
Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN





Nau da eternidade. Á Eduardo Gosson

Oceanos encapelados
Prados murmurentos
Vertem sulcos das faces
Arroios tintos de sangue.

Laços desfeitos
Na retentiva da carne
Neutras nuvens no céu
Sustentando as velas

E no canal aberto desliza
Onde solfeja o vento
Silenciando o cansaço
Desfeito nas brumas,

Como roupa quarada
A sombra do adeus...
No mar da saudade
Ausente de espumas

A nau da eternidade
Zarpa no firmamento
Como dorsal sem medula
Guia o timão do tempo.

Deth Haak
“ A Poetisa dos Ventos”
8/01/2012




Pegadas


Leve o poema deixa n’areia, pisadas.
Do lirismo que plasma a cada instante
E pelos atalhos vai, como verso viajante
A busca de luz para rimas apagadas.

Passo que chega a estrofes adiante
Um canto alado amiúde nas calçadas
Ou lampiros das noites postergadas
Em que a memória ataca o passante.

Acomete o coração, e sem dizer nada,
Morde o papel que lhe furta a emoção
Desprezando as curvaturas da estrada.

E o poeta neste mundo em redenção
Dos rastos de amor segue as pegadas,
Passo a passo em busca da inspiração.

Deth Haak
“ A Poetisa dos Ventos”
08/01/2012

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  01.02.2012