Poema Nocturno
Conceição Tomé
Poema é noite que em nós existe,
È solidão que nos acompanha,
É tristeza que nos invade
Sentir que ao longe alguém nos chama.
É a voz longínqua do pensamento
Divagando nas brumas do passado,
São lágrimas rolando no rosto gelado
E sons distantes trazidos pelo vento.

Minha Pedra Filosofal
São Tomé
Era um bloco de pedra inerte
Plantado no meio do monte
Onde por vezes ia brincar
E escutar o canto dos passarinhos.
Sempre que lhe tocava
Como por magia se animava
E então se transformava
No meu cavalo alado
Mais veloz que o pensamento.
E juntos cavalgávamos
Para além do horizonte
Onde os meus sonhos nos levavam
Aos mundos de meu invento.

Belezas da Minha Terra
São Tomé
Minha terra tem belezas
Que noutras terras não há
Encantam quem por cá passa
E que por Divina graça
Só se encontram mesmo cá.
Os seus laranjais em flor
Alcandorados nas fragas
Como quem namora o rio
Da varanda dum condor
Abrindo sobre ele as asas
Num constante desafio.
Tem dois rios a seus pés
Que lhe conferem grandeza
Qual deles o mais formoso
O rio Tua e o Douro
Como um valioso tesouro
De luxuriante beleza.
Os socalcos de vinhedos
Guardam eternos segredos
Do seu vinho generoso
No mundo inteiro famoso.
A Banda já bicentenária
Criou fama o seu rufar
E muita gente acredita
Que nesta terra bendita
Até as pedras da rua…
Sabem tocar!

Pátria Repartida
São Tomé
Pátria minha, repartida,
Por três continentes dispersada,
Qual das partes me foi mais querida?
Na Europa, tive o meu berço,
Feito de madeira escassa e dura
E onde me aguarda a sepultura.
Na África, os maiores sonhos realizados
E a mágoa de lá os ver sepultados,
Onde deixei grandes amores e grandes dores.
Na América, tive que reaprender
A testar as minhas capacidades,
De sobreviver na selva das grandes cidades.

Mar de Saudade
São Tomé
Mar! Estou de novo aqui
A desaguar as minhas mágoas,
Que lentamente vão fluindo
Para dentro das tuas águas.
Hoje, estás tão espelhado
Numa profunda acalmia,
Pelos raios de Sol dourado.
Deixo-te o meu grito:
O grito da minha saudade
Para na longitude se embrenhar,
Até se perder no azul do infinito
E ir ao encontro do outro mar.
Aquele mar lá do outro lado,
Para além do equador.
Ah, se pudesse transformar
Esta imensurável dor,
Numa pequenina Sereia,
Vogaria de volta para ti.
Mas, só te posso mandar,
O meu lamento…
Para as tuas praias beijar,
Praias que enfeitaste para mim
Com palmeiras e leve bruma,
Para eu me deitar na areia
Salpicada de branca espuma,
Esperando a brisa do entardecer
E o pôr-do-sol mais belo de se ver.
Mar, aqui te deixo a minha saudade…
Esta saudade que não tem fim.

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