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AMOR EM QUATRO ESTAÇÕES
Clara Lúcia L. Araújo 


Nosso amor nasceu na primavera
Sobre um tapete rosa de flor de ipê.
Não havia outro igual.

Mal chegou o verão, tórrido era,
Envolto no mais vermelho buquê.
Não havia outro igual.

O outono morno breve chegara.
O nosso amor não sabia o porquê:
Já havia outro igual.

O inverno da indiferença intrometera.
De rosa, de vermelho, hoje nada se vê.
Só cinzas, cinza, tudo igual.




BEM-TE-VI
Clara Lúcia L. Araújo

Um bem-te-vi barulhento
Me acorda pontual
Do alto de uma mangueira.
Não o vejo, mas sei,
Está lá, está lá.

Acabado o ritual
Voa para novos quintais
E a outros vai acordar.

Se você me faltar, meu
Bem-te-vi colorido
Não sei se vou acordar.
Me acostumei ao seu cantar.
Bem-te-vi, já te vi.




CHORO DA TERRA
Clara Lúcia L. Araújo


Ontem eu vi a Terra chorar.
Não podia conter suas lágrimas,
Tamanha era a devastação.

Não havia capim gordura;
Não havia capim colonião;
Não havia nada, meu Deus!

O choro corria solto, solto,
Pelos sulcos de sua triste face,
Lavando as cinzas da queimada.

Quis então enxugar seu pranto.
Como? E com que encanto?
Só mesmo o milagre da criação.




MEU DESTINO
Clara Lúcia L. Araújo


Os pardais fazem seus ninhos
Nos beirais da minha casa.
Meus sonhos de passarinho
Voam pelo mundo afora.

Pensei em ser cantor
Tentei ser professor,
Busquei caminhos distantes
Tornei-me até um errante.

Como os pardais, de costume,
Voltei numa tarde, sentindo
Que, mesmo tendo partido,
Aqui está meu destino.




SONHO MEU
Clara Lúcia L. Araújo


Um beija-flor
Fez seu ninho,
No galho mais baixo
Do pé de oiti.
(Vem conferir)

Minha casa,
Eu quis,
Até hoje,
Não construí.

Fico pensando...
Já decidi.
Vou semear
Uns buritis
E o meu sonho
Pendurar ali. 

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  29.01.2012