Aonde vou levo minha casa
Minha intimidade está no outro
Perco privacidade se me escondo
Ela existe enquanto me revelo
Por autoestima velo o próximo
Como se cuidasse de mim mesmo
A amizade é joia de anjo
Arranjo divino para nossa sobrevivência
Carlos Lúcio Gontijo
Bibelô
Tenho procurado ser doce
Como se fosse colmeia
Purificado nos gestos e nas ideias
Chegar-lhe afeito e manso
Feito remanso de rio
Desejá-la em sentimento alvadio
Em pleno cio amar e seduzi-la
Traçar-nos romaria de encontros luzidios
E como o mais sadio dos amantes conduzi-la
Carlos Lúcio Gontijo
Novo Bem
Quando um velho romance acaba
Não desaba nosso mundo interior
Pois o amor terminado dá um jeito
E fica em nosso peito como zelador
Mantém aquecida a lareira do olhar
Uma vela a queimar em oração
Outra vela na embarcação das procuras
Pra quando houver vento em alto-mar
Favorecendo o navegar de encontros
Haja continuidade do desejo de amar
E os encantos preservados seduzam alguém
Com a paixão antiga livrando-se da missão
De servir de alimento à chegada de novo bem
Carlos Lúcio Gontijo
Deus
Deus é entidade do perdão
Pelo estender de mão é Pai
Não libera seu esbravejo à toa
Nem se magoa por qualquer bordejo
Nas praias de sua divina memória
Registra o dia-a-dia de nossa história
Grava na rocha nossos raros feitos
E para que a maré cheia os leve
Nossos defeitos na areia escreve
Carlos Lúcio Gontijo
Duas Vidas
Quando você der de ir embora
Quero que saiba desde agora
Que jamais irá completamente só
Para o melhor ou o pior
Estarei sempre ao seu redor
Com minha pegada no seu passo
Ocupando o mesmo espaço
Colada à sua alma
Com afeita calma de espírito-estepe
Espécie de sobressalente de gente
Componente de união tão perfeita
Que se você contrair ferida fatal
Ao certo do mal não morrerá
Pois carregando duas vidas no peito
A minha vida lhe restará!