SE EU FOSSE POETA...
(Ary Franco)
Poderia sonhar quando acordado.
Saberia amar mesmo sem ser amado.
Em meio à mata acharia caminhos
Só de flores, olvidando os espinhos.
Falaria palavras ditadas pelo coração.
Encontraria luz na imensa escuridão.
Teria como companheira a inspiração,
Mormente quando em dorida solidão.
Arrancaria do luar sonetos apaixonados.
Uniria centenas de casais enamorados.
Descobriria estrelas em noites chuvosas.
Comporia lindos versos, estrofes e prosas.
Despertaria em todos, sonhos maiores.
Serestas e canções cada vez melhores.
Veria numa lágrima uma gota de alegria
E sobre ela escreveria uma linda fantasia.
Subiria até ao céu só para alcançar a lua.
Traria comigo um pedaço dela pra te ofertar,
Mimo de minha paixão que sempre foi tua.
Saberia dizer que jamais deixei de te amar!

SOB O GUARDA-CHUVA
Ary Franco
Saí com ela na chuva a passear.
Tínhamos apenas um guarda-chuva.
Aproveitei para a ela me agarrar.
Senti que ia perder a compostura...
Tomara que continue a chover.
Que nosso passeio acabe jamais.
Vou beijá-la, haja o que houver!
Sinto seu calor, tá bom demais!
Querida, meu ombro está molhado,
Faz de conta que sou teu namorado.
Sei que mal acabei de te conhecer,
Mas amar não tem hora pra acontecer!
Paramos de andar, tomei-a nos braços.
Perdemo-nos em beijos e abraços.
Foi assim que nosso amor começou.
E o guarda-chuva? O vento levou!

NO PALCO DA VIDA
(Ary Franco)
Cada dia é um novo episódio a ser interpretado
de improviso, nada ensaiado.
Somos atores, tendo por assistência aqueles
mais próximos que nos aplaudem ou apupam.
O espetáculo não pode parar, tem que continuar
até o último ato, quando as cortinas se cerrarem.
Renovamos nossas forças nos bastidores,
retocando nossa maquiagem, mascarando
uma dor pungente ou ressaltando
a alegria que nos invade a alma.
Subimos ao palco como calouros na primeira vez.
Depois a própria vida nos vai ensinando a
arte de atuar, melhorando a cada dia o
nosso interpretar entre comédias e tragédias.
Atuamos sob o olhar vigilante de nosso Deus Criador,
mas o epílogo já está por Ele traçado.
É a última cena, intitulada de “DESTINO”!

FASCINAÇÃO
Ary Franco
Frente a este computador,
Máquina fria e insensível,
Sinto falta do teu calor.
A saudade que sinto é incrível!
Condenado ao mutismo,
Torço para o dia logo passar.
Talvez à noite, com otimismo,
Consigamos conversar.
Segura firme minha mão
E me guie na escuridão.
Amenize minha obsessão
Por que sinto tanta paixão?
Para mim tens imenso valor.
Só contigo vivo a sonhar.
Gosto-te com muito fervor.
Será que isso não é amar?
Tua ausência me alucina.
Fico triste e solitário.
Lembro tua imagem cristalina
Vagando no imaginário.
Quando será teu retorno?
Nunca mais? Amanhã?
Sinto que estás em torno.
Que seja então pela manhã
VOLTA!

TU ÉS AMOR
(Ary Franco)
Talvez sonhes os mesmos sonhos meus.
Adormeço no doce cantar do teu acalento.
Acordo com o sabor de mel dos beijos teus.
Tu és amor, paixão, meu eterno alento!
Se anulada a distância que nos separa,
Todas nossas ânsias poderíamos saciar.
Peço que um dia isso aconteça. Tomara!
Finalmente te alcançar, possuir e amar.
Dia após dia, alimento este meu querer.
Quem sabe, isso inda venha a acontecer?
Basta dizeres que sim e irei aí te buscar.
Te levaria ao paraíso, difícil de nos achar.
Viajaríamos levitando ao soprar da brisa,
Para longe, além de um limite ponderável.
Em sussurros te diria, minha amada poetisa
Quão é grande meu amor por ti, inesgotável!
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