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O eco do teu canto
Armando A. C. Garcia


O meu dia longo, já não passo em branco
Posso ouvir ao menos o eco do teu canto
Que vem se antepor ao rumo ledo e franco
Que projeta em mim a luz do teu encanto

E nessa imagem, pintada de aquarelas
Floresce a fantasia, sob as tuas roupas
Das coisas púdicas, às coisas mais singelas
Delírio do amor, do qual nem tu me poupas

Tu, tu és a intimidade do meu segredo
Flor caprichosa, que a multidão cobiça
A flor mais lindo que minha alma atiça

Perfume inebriante de essências mil
És a estrela do caminho no céu anil
Imensa ternura, meu feliz degredo

Porangaba, 21/01/2012




Do tempo sofrido
Armando A. C. Garcia



Que ventos são estes, dos tempos sofridos
Que passam agora zunindo ao ouvido
Tirando a paz, que estava comigo
Trazendo o agouro do tempo sofrido

Minha esperança nua, enfraquecida de vez
Ao sibilar da forte e brava ventania
Que vento gelado, que noite mais fria
O tempo fechado, vem chuva, talvez

A grande tempestade está dentro de mim
Desgoverno provocado do tempo sofrido
Não o do planeta por estar agitado

O descontrole climático a fuga sem fim
É o inverno, averno do dia esvaecido
No esteio da vida, psicanalizado

Porangaba, 20/01/2012



C’est Fini
Armando A. C. Garcia



Já vacila duvidoso, o amor falece
Outros braços, outros beijos tu aspiras
Outro peito radioso te aparece
Por meus atributos não mais suspiras

Embora esta dor atinja o meu peito
E a tristeza compartilhe este pranto
Meus dias correrão de distinto jeito
Quanto aos teus, melhor sorte, não garanto

Quando o amor perde o encanto, expira
O momento que se segue é o desencanto
Mágoa pungente, tormento que dói tanto

Nas ruínas dos despojos deste amor
O vento e o mar viram a luta e o fragor
Vêm a dor final que o coração suspira !

São Paulo, 15/10/2011



Soneto (sobre o soneto)
Armando A. C. Garcia



Sonetos, são poemas ensarilhados
Composto apenas por quatorze versos
Dois quartetos, dois tercetos agrupados
Por metrificação são *abstersos

Sucintos. De gosto apurado e breve
Em poucas palavras, exprimem idéia
Uma história em poucas linhas se escreve
O mesmo trato, é dado a uma epopéia

Não é prolixo, nem sobrecarregado
Deve obedecer à regra camoniana
Empolgando o **estro de todos os poetas

O ouvido espera o efeito completado
No decassílabo da poesia italiana
Onde o verso, exprime, suas facetas !

São Paulo, 08/09/2011

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  24.01.2012