1.Temperamental-mente
Ângelo Rodrigues
Sou sendo o Minotauro, o fio de Ariana e o Labris.
Quando me esqueço do Labris e do fio é terrível e confuso;
o Minotauro investe e o medo instala-se,
desorientado e preso na impotência, viro estátua de barro.
A luta é quase impossível porque não sou herói nem filho de Teseu
e o estado divino teima em não se revelar nos homens de angústia
e de ansiedade onírica e temperamental.
Com o Labris e o fio venço o Minotauro e o desconhecido
é um doce-convite, uma aventura fantástica e eterna.
Não se deve andar no Labirinto sem o Labris e sem o fio.

2. Ângelo Rodrigues
Deus dos outros:
Eu tão só,
triste e esperançado
- no meio do meio -
da Tua - Presença-ausência.
Porquê[?]

3.Ângelo Rodrigues
Pela janela telúrica
meus olhos prendem o Mundo
na sedução do momento.
O que é visto é Um-Todo-Erótico.
O meu orgasmo é campesino
e o Espírito-da-manhã
dita-me o caminho.
O olfacto já não é só
um sentido e um enigma
porque o Destino
é o cheiro eterno,
o advento da Rosa redentora.

4.Ângelo Rodrigues
O Azul
desfez-se em volúpias,
intensidades transcendentais,
fervilhantes vitalidades
que esmagam horizontes
de Alquimia - visíveis com
olhos emprestados de anjo-bébé.
Os partos-de-Essência
acontecem provocados
pela vontade desmedida da
cosmicidade do Azul-infinito
que não existe nas coisas-do-mundo
nem neste vosso-observável Céu.
O que advém da Luz,
sem ser visto por Nós,
seres com medo do Medo do
nada e do escuro,
oculta-se no
Azul-absoluto-total
e é o enigma que existe
nos sonhos-azuis-irradiantes dos
místicos e dos para-deus.

5.Ângelo Rodrigues
Das «coisas intensamente belas»
que habitam o outro lado de nós,
emana o raro e único perfume,
qual afrodisíaco que nos faz
desejar a mãe-deusa-Arte:
essa que levará carinhosamente
ao colo - pelos caminhos do Infinito,
a criança-eterna
que dorme - por enquanto,
demasiadas horas por dia.

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