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NEGAÇÃO
Alexandrina Pereira


Há dias em que nego a vida.

Dias em que me afogo
nas horas
paradas
na emergência do grito
das bocas esfomeadas.

Há dias em que rasgo o sol
e me inebrio de multidão
e outras em que morro
junto aos que morrem
de solidão.

Há dias em me visto de Inverno
tão gélida me parece
a vida
nos olhos a poeira do nada
hecatombe imensa
de milhões e milhões
de vítimas sombrias

É quando rasgo todas as minhas poesias!




JÁ NEM IMPORTA!...
Alexandrina Pereira


Disseste-me uma vez: Amo-te tanto!
E eu embevecida por te ouvir
A porta do Amor eu fui abrir
Para deixar entrar o teu encanto...

Eu não sei se mentias, mas que importa
Se por momentos eu fui a mais feliz?
Se a tua boca é linda quando diz:
Somente o teu abraço me conforta!...

Já nem importa que apenas por momentos
Transforme em canção os meus lamentos
E com claves de Sol escreva os meus dias

Importa sim, que me fales desse amor
E que por mim sejas o compositor
Das mais suaves e belas sinfonias!!...




A TODOS OS POETAS
Alexandrina Pereira


Moram num cantinho bem discreto
Na mesma casa onde mora a Poesia
A sua alma é como um livro aberto
E em cada letra há encanto e há magia.

Há sempre a ternura em cada gesto
Cada palavra um poema, uma verdade
É essa entrega sempre feita sem protesto
Que diz acreditar na Humanidade.

É bom viver com a poesia assim
Escrevendo palavras de fé e de esperança
E acreditando que um dia terá fim
A tristeza que há no olhar de uma criança

Quando o Outono já começa a chegar
Recusam-se a parecer folha caída
Vivem com a Primavera no olhar
Tendo nas mãos a poesia de uma vida.




NÃO TENHO ROSAS
Alexandrina Pereira


Vesti os meus sonhos
com pétalas de rosas
Desenhei caminhos
com a cor da Primavera
Pintei as janelas
e ficaram primorosas
Nos beirais romperam
folhas d’hera.

Foi só um sonho,
nada mais que isso
Que me prendeu
no tempo do feitiço
Não tenho rosas,
não tenho Primavera
Não tenho janelas,
não tenho folhas d’hera
Tenho apenas
meus dias tristonhos
E este jeito
para dar cor aos sonhos!



DOIS MODOS DE ALMA
Alexandrina Pereira


A Poesia aconteceu!

Então, fiquei frente a frente
com a razão e a demência
o inferno e o paraíso,
a lágrima e o sorriso
entre a Paz e a violência.
E num debate diferente, 
logo ali se decidiu:
falar de amor é preciso
Mudar o Mundo é URGENTE!
E então…
escrevi poemas de esperança 
quando no peito sentia
que o olhar de uma criança
é o nascer de um novo dia.
Senti profunda tristeza 
tomando conta da rua
onde dormia quem era
negação da Primavera
ofuscando a luz da Lua.
Segui os passos cansados 
de quem escreve solidão.
Deixei poemas rasgados 
espalhados pelo chão
esperando que alguma brisa 
os ajudasse a erguer
e levados pelo vento 
fossem ao mundo dizer:
Que a Poesia é vertigem 
dos sentidos mais profundos
onde o sonho é fruto virgem 
na fronteira entre dois mundos.

É assim a Poesia!
Sopro de vento... acalmia...
É lenitivo tão doce 
que me adormece e acalma
É assim como se fosse
Apenas...dois modos de alma!

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  18.02.2012