HOMENAGEM – 08 DE MARÇO
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Alceu Sebastião Costa
FLOR-MULHER
O jardineiro colhe com carinho a sua flor.
Escolhe sempre a melhor por ser da espécie entendedor.
Assim também é o poeta, quando exalta a beleza da
Flor-Mulher
E, esvaído em prantos,
Curva-se em reverência aos seus encantos.
Jardineiro e poeta têm em comum a força da emoção,
Ditada ao primeiro pelos cinco sentidos,
Ao segundo pela voz do coração.
Porém, cabe aqui a explicação completa:
Quem atenta para a sua beleza e meiguice,
MULHER,
Não é o meu lado jardineiro,
Mas o meu coração de poeta.
Alceu Sebastião Costa
Março/2010
Meu Amor,
Deus me premiou duas vezes
Ao me destiná-la como
MULHER E MUSA.
Obrigado, Senhor meu Deus!
PAPI

CENÁRIO INÓSPITO
Alceu Sebastião Costa
Meu amigo, por favor, feche a porta
E me dê um pouco da sua atenção.
Deixe o povo, lá fora, curtir a sua retorta
E atente para a letra irretocável deste baião.
“Lua”, o sanfoneiro, vê a terra arder,
Como se crepitante fogueira de São João,
Extasiado, querendo aquilo entender,
Ao Criador, Pai do céu, faz a indagação.
O silêncio é a resposta no cenário do sertão,
Segue em frente a seca brava, sufocante o calor,
Que não poupou o pobre gado nem o valente alazão,
Por falta d água só consternação, tristeza e dor.
Por tanta desolação, adeus choro da sanfona,
Até sobre o amor recai a danada da desilusão,
Rosinha renuncia do sanfoneiro ser a dona,
Salvo se a chuva voltar e reflorescer o sertão.
Diante da aspereza de um cenário tão insólito,
Asa Branca, ave nativa, busca outro recanto,
Qualquer um, que não seja assim inóspito,
Terra molhada pelo céu, não apenas por seu pranto.
Gonzaga, o “Rei do Baião”, nos deixou bela poesia,
Deu importante testemunho, empunhando a sua bandeira,
Cantou o seu Nordeste com vigor e energia,
Deixou o seu nome gravado no pódio da música brasileira.
Em meio à merecida louvação, não cabe omissão a este poeta,
Que herdou a sabedoria do saudoso e querido pai Januário,
Mas lembro que a escassez da água merece mais que um alerta,
Pois em breve fará do nosso Planeta um tétrico e doloroso calvário.

ACERVO DO PASSADO... LENITIVO DO PRESENTE.
Poeta Alceu Sebastião Costa
Acervo de vinil... guarda dos bons tempos,
Adega dos velhos sons, sazonados nos mais puros sentimentos,
Toque de artesão, que espelha o passado preservado e limpo,
Diamante lapidado, encontrado um dia bruto na bateia do garimpo,
Colar de gemas esculpidas na oficina da saudade,
Retrato de uma época serena, quase sem malícia e sem maldade,
Que permitia aos namorados os passeios domingueiros de mãos dadas,
A troca de beijos ao pôr do sol, nas praças arborizadas,
Diário da adolescência, confitente, reticente, apaixonada,
Lenitivo, enfim, que traduz, por instantes, a volta assim sonhada;
Ah!doce acervo de vinil, dos cantos indulgentes,
Das melodias românticas, das orquestras e corais envolventes,
Apesar dos CDs e dos DVDs da modernidade,
Os velhos LPs e surradas vitrolas
Continuarão despertando os vetustos encantos,
Que domaram os meus ímpetos juvenis
E regaram as sementes da minha poesia
Com as reservas colhidas dos meus prantos;
Oh, venerável acervo... és pequeno em quantidade,
Porém, nada se compara ao tamanho da tua generosidade;
Meu rico acervo de vinil... que, pela guarda dos tempos,
O tempo te guarde por toda a eternidade.

FOLIA E NOSTALGIA
ALCEU SEBASTIÃO COSTA
Gosto do Carnaval porque me afloram boas lembranças,
Tanto dos amores adultos quanto dos flertes de criança,
Dou vazão à nostalgia que o tempo mantém represada,
Confesso minha saudade da coisa hoje tida por errada,
Dou como exemplo as regras do pudor e do respeito,
Do cuidado com a educação e os princípios do Direito,
Da liberdade não libertina, do bom trato com a menina,
Da atenção para com o idoso sob o prisma da hierarquia,
Do saber se colocar diante da experiência e da sabedoria,
Do equilíbrio saudável entre o liberal e o conservador,
Pois, afinal, não foi esse descompasso que motivou
A rejeição e o martírio de Jesus, Deus Nosso Senhor?

ANJO-POEMA
Alceu Sebastião Costa
Quando penso um poema,
Prendo-lhe as asas para não voar.
Poema é como anjo, gosta de brincar.
Mas eu, poeta hospedeiro, sem pressa,
Ponho-me a refletir, imagino o modelo,
Depois busco as palavras, junto-as numa só peça.
Peça inerte como o anjo, que por um pouco é meu refém.
Refém no bom sentido, pois, rima por rima no todo conferido,
A liberdade retoma, podendo alçar vôo, até brincar, se lhe apraz.
Enquanto presto contas ao Criador pelo parto de novo anjo-poema do Amor e da Paz.

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